[...]
- Tem medo de mim? - perguntou ele (Dom Juan)
-De você não, mas sim do que você representa.
- Represento a liberdade do guerreiro. Tem medo disso?
- Não. Mas tenho medo do assombro de seu conhecimento. Não há alívio para mim, nem um abrigo para onde fugir.
- Você está novamente confundindo as coisas. Alívio, refúgio, medo, tudo isso são estados de espírito que você aprendeu sem jamais questionar seus valores. Como se pode ver, os adeptos da magia negra já conquistaram toda a sua lealdade.
- Quem são esses da magia negra, Dom Juan?
- Nossos semelhantes são os da magia negra. E já que você está com eles, você também é da magia negra. Pense um momento...
Você pode desviar-se do caminho que eles lhe traçaram? Não. Seus pensamentos e atos estão fixos para sempre nos termos deles. Isso é escravidão. Eu, por outro lado, lhe trouxe a liberdade. A liberdade é dispendiosa, mas o preço não é impossível. Assim, tema seus captores, seus mestres. Não perca seu tempo e seu poder tendo medo de mim. [...]
Carlos Castanedã; A porta para o Infinito. 1971.
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