“A proposição: “o interdito existe para ser violado” deve tornar inteligível o fato de que o interdito do homicídio, embora universal, em parte alguma se opôs a guerra. Estou mesmo certo de que, sem o interdito, a guerra é impossível, inconcebível!”
“Os animais, que não conhecem interditos, não conheceram, a partir de suas lutas, a empresa organizada que é a guerra. A guerra, num sentido, reduz-se à organização coletiva de movimentos de agressividade. Ela é, como o trabalho, coletivamente organizada; como o trabalho ela se dá um fim, responde ao projeto pensado dos que a dirigem. Não podemos dizer, entretanto, que a guerra e a violência se opõem. Mas a guerra é uma violência organizada. A transgressão do interdito não é a violência animal. É a violência ainda, exercida por um ser suscetível de razão (colocado, no momento oportuno, a sabedoria a serviço da violência). O interdito é, pelo menos, o limiar para além do qual somente o homicídio é possível; e, coletivamente, a guerra é determinada pelo limiar franqueado.” (BATAILLE, p. 60-61, 1987)
BATAILLE, Georges. O Erotismo. Porto Alegre: LP&M, 1987.
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