"... Bergson não se sentia à vontade, inclusive, para se utilizar de categorias humanistas ou animistas: homem e alma não são, definitivamente, noções bergsonianas. Um dos grandes projetos do bergsonismo é enfraquecer o "eu-pessoal", possibilitando, assim, um maior potencial de criatividade e invenção para o vivente. Para isso, precisamos estar atentos à passagem do sensório-motor - a ação e reação dos corpos sobre os corpos - para ótico e sonoro puro - o intervalo ou a hesitação que o vivente produz entre o agir e o reagir perante o dado. Nesse curto espaço de hesitação, um quase nada pode esconder um enorme feixe de criações - é a potência enlouquecedora, quase aberrante da vida, sempre aberta ao criar, sempre aberta às virtualidades. Apesar do "eu-pessoal", territorializado sobre seus sentimentalismos, apoiado pelo bom-senso e protejido pelo senso-comum, a vida continua a criar, a reinventar-se a todo momento. Dessa maneira, podemos dizer que a idéia de mudança é essencial ao bergsonismo. Essa capacidade de mudar fez dele uma filosofia do novo."
Arte, sbjetividade e Virtualidade: Ensaios sobre Bergson, Deleuze e Virilio - Jorge Vasconcellos. Rio de Janeiro: PUBLIT, 2005 p. 22
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