Minha execução ao Instituto Psiquiátrico é o estranho caminho que me leva à encontrar meus companheiros beatniks. Dei a eles uma versão apócrifa das minhas aventuras e audácias pseudo-intelectuais. Eles anotaram tudo que falei meticulosamente - essa época, todos sofriam do "mal do escritor" - e mais tarde quando decidi renunciar à alma pela carne e me tornar um esquizofrênico profissional, eles publicaram todas essas informações, parcialmente verdadeiras, mas na maioria das vezes alucinações de autojustificação, fanfarronices criptoboêmias à la Rimbaud, piruetas afeminadas e aforismas esotéricos plagiados de Nietzsche. E eu só estava narrando uma viagem, não um sonho - não existia uma superconsciência e sim a embriaguez do êxtase. Deste modo cultuaram a mentira como a verdade e a alucinação neurótica e egóica como sensatez para a contemplação e perdição das futuras gerações. Deleuze tinha seu Guattari, nós não tinhamos ninguém. Mas eu não precisava de ninguém, provei ser um homem de ação quando confrontado com as mentiras e falsas análises dos freudianos inrustidos e da minha própria geração - aquele bando de glamurosos bastardos. Eu consegui sair de uma variedade infinita de hospícios e provei que sou um cidadão de bem e honrado, temeroso ao humanismo sensível e letrado... E isto apesar da pederastia inerte e geral à que fui exposto, desde a mais tenra juventude, desses meios. Apesar da influência dos acadêmicos enrugados e eruditos que foram os primeiros a me colocar no mau caminho me expondo aos sedutores da juventude como Sócrates e Genet.
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