segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A brecha cultural

' O novo paradigma cultural não busca a coerência dos ''velhos sistemas'' humanistas; melhor dito, ele frustra as prescrições rituais do saber ocidental, retirando de sua cartilha as regras lógicas de coerência, de complementaridade de não contradição; bulímico e dissonante ao ouvido racionalizado, o novo amálgama passa do ''psicodélico ao político, do sexual ao místico, busca-se em uma revolução ora individual ora social, viaja da França à Índia, e no caminho encontra o hippie, o militante de esquerda do campus e o jovem comunitário ecologista. O adolescente em busca de identidade parece buscar uma definição mais antropológica que sociológica: ''Estes jovens burgueses fazem um esforço desesperado para escapar à burguesia (e eu compreendo melhor por que eles têm necessidade do mito da classe justiceira, assassina, liquidadora, o proletariado, para justificar-se). De outra maneira, os jovens de bandos a-sociais fazem um esforço desesperado para livrar-se do assalariado e do proletariado. É extraordinário ver como a adolescência moderna repele a classe social para pôr em seu lugar, seja uma definição nacional (o jovem Negro, o Índio), seja regionalista (occitaniense, nordestino), seja uma definição antropológica.''

Irene Nahoum,

Nenhum comentário:

Postar um comentário