Em “rhetorique de la Drogue” Derrida diz que questão das drogas é essencialmente uma “práxis”, ou melhor, uma arte de testar os limites: do corpo e do texto, do signo e do significado... Em suma, os limites da subjetividade são postos em questão ou desconstruídos (mas não destruídos)... O mesmo acontece ao pensamento filosófico, que é sobre ter limites, e transgredir aqueles arbitrários e preestabelecidos. Não importa o filósofo que esteja lendo, a filosofia em questão irá, invariavelmente, começar de um limite primordial, enquanto que, ao mesmo tempo, desloca outros, reconfigurando-os em outro lugar... Âncoras da finitude na imensidão do pensamento...
Desde que o substrato (ou limite) do pensamento é psícoquímico (e não ontológico, racional, ou eidético) é necessário que se efetue fisicamente o abstrato de pensar, para que se pense o que quer que queira: o pensamento é uma manifestação física como qualquer outro “objeto” do mundo... A mudança radical no abstrato do pensar é a ruptura abrupta e a dissolução (temporária) do eu e do mudo: a práxis do fogo que Heráclites roubou dos deuses, e Platão, infelizmente, recapturou para os homens...
Desde que o substrato (ou limite) do pensamento é psícoquímico (e não ontológico, racional, ou eidético) é necessário que se efetue fisicamente o abstrato de pensar, para que se pense o que quer que queira: o pensamento é uma manifestação física como qualquer outro “objeto” do mundo... A mudança radical no abstrato do pensar é a ruptura abrupta e a dissolução (temporária) do eu e do mudo: a práxis do fogo que Heráclites roubou dos deuses, e Platão, infelizmente, recapturou para os homens...
Imaginem os efeitos “psicológicos” das drogas transpostos ao abstrato da razão. Isso incluiria a seguintes transformações abstratas, retorcendo e fragmentando os domínios do pensamento: distorções visuais, auditórias, tácitas, olfativas, gustativas e percepções sinestésicas, mudanças infinitas e diferenciáveis... Mudanças instantâneas na graduação do que é pensado: a imagem de si é alterada, alucinações objetivas, percepção absurdamente aguda das cores. ... Se tudo isso pudesse ser transposto para o abstrato da mente, seríamos todos Deuses ou, pelo menos, Dionísio ouviria nosso grito... De forma que a “desordem racional dos sentidos” de Rimbaud está, como Deleuze apontou, não tão longe da livre “desordem” das faculdades mentais que estão na “critique of judgement” de Kant... Como disse Deleuze, a filosofia, em oposição à arte, ainda espera sua revolução abstrata... Rezemos... Pela boa, dócil e bela química...
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